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Do meu bogas
Quando uma pessoa se habitua ao carro para ir a qualquer lado, a falta que ele deixa na semana da inspecção.
A terminar dois mil e quinze
Comecei há muito pouco mas já posso garantir, procurar casa é de ir aos arames. Confesso que é a primeira vez que o faço, e depois de uma infância recheada de casinhas de bonecas e uma adolescência de braço dado com Sims, uma pessoa cria expectativas, Opá, quando for grande quero uma casa de sonho, de paredes como neve e móveis criados nas sombras, uns apontamentos de vermelho aqui e ali, ou outra cor talvez, para alegrar o binário base, quero uma sala grande com um cadeirão num vértice, junto a uma estante-biblioteca, é o meu espaço de leitura, e uma cozinha com ilha, sempre achei graça a esses fragmentos de móvel emergindo do soalho de pedra. No mundo das casas para arrendar não há destas coisas, muito menos para um bolso que só vai ver o seu primeiro ordenado no fim de Janeiro. Sonhos. Lá terei de baixar os padrões para uma realidade plausível, mas felizmente o Biscoito está comigo nesta busca. Essa é a melhor parte, agora oficial: pois que vamos juntar migalhas dentro de uns escassos meses.
Parece que agora é hábito
Agora o meu bairro semana sim semana não fica às escuras, não há luz para ninguém. Que é como quem diz, não há net para mim, nem candeeiro para ler, nem televisão para ver. É nestes momentos que percebo que não fui feita para viver nos tempos das velas e candeeiros a óleo, teria sido bonito.
Questões existenciais
Já tenho o The Martian na estante, agora a questão essencial, primeiro o livro ou o filme?
Dos museus amor
Digo-vos, eu podia viver num museu de artes orientais aninhada num quimono e amparada por um biombo.
Da caixa do correio
Acordar e ler uma carta da pê embebida de amor e acompanhada de ebooks de Camarneiro é ver o nascer do sol na tela do meu computador. Obrigada por este amanhecer de unicórnios e princesas.
Dos sonhos
A noite passada sonhei com a Eslovénia. A praça central estava um pouco diferente, os prédios antigos tinham-os substituído por figuras cromáticas, muito arte contemporânea, a Cacao permanecia com o seu gelado de raffaello amor, e o Mercator, o nosso sítio religioso para as compras da casa, baratinho baratinho. Os cafés a preços grotescos, dois euros por shots de cafeína, mas uma pessoa lá cede, não se toma café na Eslovénia todos os dias. E ainda usava o desconto de estudante para comer em tudo o que era restaurante da cidade. Ai mapas de amor, vinde a mim de novo.
Das gastronomias
O que o Mygon tem de maravilhoso é que se podem encontrar descontos de cinquenta e tantos por cento em restaurantes de sushi todos finórios, que de outra forma seriam demasiado para a minha carteira. Entradas, bebidas e treze peças-que-deram-pena-de-comer-de-tão-arte-e-esculturas-que-eram para cada um, numa sala toda decorada a preceito com motivos japoneses e flores de amendoeira. O meu estômago foi feliz.
Dos sonhos em falta
Os meus sonhos agora são tão banais e plausíveis que a maioria das vezes tenho dificuldade em perceber se de facto sonhei ou se apenas me caiu uma recordação do armário das memórias, já nem me fazem abrir o olho, a manhã acontece como se nada fosse. Gostava de ter oura vez aquelas fornadas de sonhos absurdos que me surgiam à uns anos, davam sempre histórias tão boas para contar.
Das constipações veranis
Ando com frio e a espirrar uma dúzia de vezes por dia desde há duas semanas. Cocus da minha faringe, apareçam lá para resolvermos isto de uma vez.
Dos vizinhos de cima
Os meus vizinhos têm um bebé lindo, de olhões azuis enormes e cabelo loiro de príncipe, mas quando a criatura chora o prédio estremece. A verdade é que os gritos do pequeno ouvem-se entrecortados por gritos mais volumosos dos pais, tentativas falhadas de por fim às lágrimas do filho. É triste. Se antes me perturbava o silêncio da casa, agora não consigo não sentir pena e o coração apertado.
Dos bichos de estimação
Quando tiver a minha casa, quero arranjar um cão de raça pequena, igual a mim, e pachorrento, como eu gosto de bichos gorduchos, mimosos e pachorrentos. Um shar pei era perfeito, aquele monte de rugas dá cabo de mim. A minha mãe diz que são horrorosos, que um dia quando ele estiver a dormir ainda o vou confundir com uma toalha perdida no chão. Exacto, há lá coisa mais adorável que um bichano-tapete?
Dos mimos
Uma coisa que me faz mesmo feliz é oferecer prendas às minhas pessoas, nada de coisas caras e extravagantes, mas pequenos miminhos. E gosto especialmente de ser eu a moldá-los, colocar-lhes um significado especial e fazer surpresas em dias aleatórios só porque sim. É uma das minhas maneiras de mostrar o que me vai cá dentro.
Das salas de espera
Tinha hoje uma consulta marcada para as três da tarde, a minha médica supostamente chegava às duas e meia, não ia esperar muito, pensei eu. Mentira, ela chegou às quatro e meia. Quatro e meia! Tantos minutos perdidos naquela cadeira de tédio.
Aquele momento
Em que vês o teu autocarro prestes a chegar à paragem, mas com a correria no meio da multidão atrapalha-se e entra no autocarro errado.
Dos Potterianos
Parece que faz 18 anos que nasceu a geração Harry Potter. Lembro-me que na altura ofereceram-me os dois primeiros livros no Natal, uma escolha errada para a minha pessoa, veio a concluir-se. Li metade do primeiro livro, fartei-me. Deixei-o no armário perdido durante uns anos, até que voltei a pegar nele, Vamos tentar outra vez, tanto sucesso não pode ser em vão, deixei outra vez a meio. Acho que o meu feitio não se dá bem com histórias de feiticeiros.
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