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Dos oftalmodramas
No início do Verão andei cheia de dores nos olhos, calculei que fosse de passar os dias a ler, estudo que cruz me fazes carregar, mas que eventualmente passaria. A coisa agravou, fui ao oftalmologista e voilà, tinha o eixo do astigmatismo virado do avesso.Mudei de lentes, as dores acalmaram. Entrei de férias, deixei o estudo e cá estão elas outra vez como bicho latente à espera da melhor altura para morder outra vez. Não é justo, beicinho.
Dias de desespero
O meu cérebro está demasiado inchado para estas quatro paredes ósseas, e eu farta que nem barriga pós rodízio dos vértices desta casa e das arestas destes livros. Cheia de amarelos de ferir olhos e rosas reflectores, de canetas vazias e blocos despidos de folhas no chão como as árvores que me observam pela janela. Todos os dias uma contagem decrescente para o fim do mundo que eu conheço há meses, o meu ano novo não vai começar a um de janeiro, começa já para a semana.
Dramas do quotidinao
Eu gosto de escrever à mão, e gosto de ter as unhas grandes [q.b.], mas esses são dois círculos que nunca consigo intersectar, lá vou eu ao corta unhas.
Dos anúncios demoníacos
Já não posso com os anúncios da Yorn X, ele é televisão, é youtube, é spotify, a sério, parem de invadir as minhas distracções de estudo.
Dos sonos por acertar
Tenho muitos problemas com o sono, se não me deitar todos os dias à hora a que estou habituada, o dia seguinte passo-o como zombie, incapaz de funcionar neste mundo. E o problema não tem a ver com o número de horas em si, que das onze às oito ou da uma às dez são sempre nove horas de descanço, o problema é mesmo a hora de me deitar. Ou respeito o meu relógio biológico, ou não há cama ou café que me salve.
Dramas de gente baixa
Se tenho o banco do carro numa posição intermédia, não chego aos pedais. Se o puxo para a frente, fico com os joelhos negros de baterem no tablier.
Dos nervos pela manhã
Aquelas pessoas com ar fresco e fofo, sem pesos ou sacos nas mãos, que chamam o elevador para subir um andar e fazer perder tempo a quem tem pressa. Ahh, desgraçadas.
Dos fins de curso
Chegou a saga das fitas, amarelas, azuis, vermelhas, cinzentas, é o inferno na terra, todos os anos, todas as Primaveras.
De ir aos arames
A minha internet anda com ameaças de perder a ligação de cinco em cinco minutos vai para umas semanas, assim uma pessoa não se aguenta, é de ir aos arames.
Dos acidentes idiotas
Como ficar sem um farol e um pisca em três segundos, andar num estacionamento a dez à hora e bater com o focinho do carro no chasso mais velho e mal estacionado da zona.
Deus me ajude
Tenho quase uma centena de rifas por vender e já não sei a quem mais fazer um choradinho.
Dos bichos carpinteiros
Devo ser das poucas pessoas que ainda está de férias da faculdade, o que devia ser bom, mas estou a dar em louca. Ando ansiosa, tenho ideias e vontades com vida própria encurraladas nas circunvoluções, preciso de entornar este jarro conceptual cheio de flores-tempestade, e o cansaço físico não cura quando lhe falta a exaustão mental. Ansiedades e bichos carpinteiros, são as linhas que me cosem hoje.
Das facas no coração
Na beira do prato por ser a menos, na beira do prato por ser a mais. O cupido não dá tréguas, ahhhh.
Das contas e finanças
Ainda estamos no inicio do mês e já gastei metade da mesada. Vá lá biscoitos, parem de fazer jantares de anos em carreirinho.
Querido mudei a sala
Os meus pais agora andam com a ideia de renovar a sala, já pintámos as paredes de branco-branquinho, já tirámos metade dos móveis, agora vem a caminho um sofá com chaise longue, ui olhó luxo, e possivelmente uns cortinados. Tem sido uma alegria com arrumações e desarrumações. Eu a pensar que ia voltar a casa e estatelar-me uma semana inteira no sofá, não, encontrei um pandemónio de sala que os meus sentidos já não conhecem.
Sabem do que tenho mais saudades?
Dos cozinhados da mamã. Eu que sempre me queixei dos pratos monótonos e repetidos da minha maezinha, agora até rezo por um frango assado com arroz ou um peixe cozido com batata.
Os amuos, ai os amuos
Há gentes que não sabem brincar, até o comentário mais inocente que se possa fazer é o suficiente para entornar vinte e muitas taças de caldo, mas não é no memento, não. Primeiro achincalha-se, depois amua-se e só quando uma pessoa tenta perceber o que se está a passar, bam!, cuidado para não escorregarem no chão molhado ou partirem as taças de barro. Ahh, preciso de doces e biscoitos.
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