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[XXXI] Humanizar

Se pudéssemos humanizar os animais como nas fábulas de La Fontaine para que nos fossem semelhantes, será que acabariam por pedir para voltarem a ser animais?

[XXX] Exteriorizar

O medo em exteriorizar os fantasmas da mente é directamente proporcional ao sabor da liberdade que daí advém.

[XXIX] Inventar

Gosto de cozinhar, mas não gosto de seguir receitas, sou mais Hum, esta receita parece boa, se calhar podia mudar isto e isto e fazer assim e assim. Para quê inventar se tenho as direcções de um prato vencedor na mão? Eu sei, não faz sentido.

[XXVIII] Prosa

As minhas leituras passam essencialmente por prosa, tal como a minha escrita, já a poesia nunca me conquistou muito. Giro é que já me disseram que eu escrevo prosa em poema, isto porque nos cadernos fico-me sempre a distâncias grandes e diferentes da margem direita da folha, cada linha o seu tamanho. Pois escrevo prosa em poema.

{XXVII] Abstracto

Sou preto e branco, amor e ódio, lógico e abstracto.

[XXVI] Sete

Mais nada me dá a pica que o pica do sete me dá.

[XXV] Sorteio

Na faculdade usávamos muito o sorteio para definir a ordem de escolha dos horários e serviços de estágio. Claro que da única vez que me calhou um bom número, escolhi na minha inocência feliz um serviço com potencial tão bom e que acabou por se tornar num dos maiores tédios da minha história de estágios.

[XXIV] Alento

A única coisa que me dá alento nesta maratona de estudo é saber que daqui a uns dias estarei em terra estrangeira de mãos dadas com o Biscoito a viver a primeira-de-espero-muitas-viagens da nossa vida.

[XXIII] Repulsa

A minha cara de repulsa quando vejo pessoas a comer caracóis e caracoletas.

[XXII] Psicologia

Algumas turmas no secundário tiveram a possibilidade de escolher psicologia no décimo segundo ano, mas não a minha, lágrimas, muitas lágrimas.

[XXI] Preto

O meu roupeiro de Inverno é tão monótono que até dói, preto beje preto beje.

[XX] Solidão

Uma palavra que eu bem conheci em tempos, solidão, a minha melhor amiga. Agora só falamos raramente, para pôr a conversa em dia.

[XIX] Sossego

Vamos ter tempo para vazar a asfixia do peito, sem o barulho dos dias e o encontrão do mundo. Vamos ter tempo para olharmos o mesmo céu, as mesmas estrelas e a mesma noite. Vamos um dia ser o mesmo silêncio que o sono traz. O sossego vai chegar, amor.

[XVIII] Sorvete

Sou muito sorvete de limão e de tangerina.

[XVII] Sintomático

Ando com uma rinite que só deus sabe, tenho o nariz todo sintomático de feridas e crostas.

[XVI] Sapo

Confesso aqui em praça pública que o pijama que mais usei durante este ainda-não-acabado-Verão tem o sapo Cocas, um grande na t-shirt e muitos mini anfíbios nas calças. Visto-me de criança para ir dormir.

[XV] Retratar

Sou também um rectângulo na parede do quarto dos meus pais. Durante uma viagem de trabalho, o meu pai foi encontrar nas ruas de Espanha uma mulher, de carvão na mão em frente a uma tela branca à espera que algum rosto lhe levasse o vazio. Esse rosto fui eu, numa foto que a mulher soube retratar na perfeição. Todos os dias olho os meus pais com os olhos de hoje e os de há dez anos atrás.

[XIV] Salientar

São as circunstâncias que escolhem o que salientar em cada um, todos os corpos são casa de anjos e demónios.

[XIII] Rádio

A única altura em que oiço rádio é quando estou a conduzir, fora do carro não me assistem os fm's.

[XII] Proteinas

Já tive de beber daqueles suplementos de proteínas com um ar manhoso de batido que correu mal e blhac, minhas santas papilas ao que vos expuseram.