Pela terceira vez ficamos a menos de dois números de acabar um cartão de bingo. Assim não brinco mais, beicinho.
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Dos intercâmbios
A Eslovénia trouxe-me amizades como nunca pensei, daquelas que não se deixam esbater apesar da ausência física. E poder revê-las passado tanto tempo enche-me o coração.
Das (quase?) amizades
Nos primeiros anos da faculdade era tudo pipocas doces. Éramos dos grupos de amigos mais estáveis e unidos que conhecíamos, havia dinâmica, havia partilha, havia cumplicidade, uns laços mais fortes do que outros, isso em todos os grupos se encontra. Mas não importava, porque apesar disso estávamos sempre lá uns para os outros, ninguém era deixado para trás, se um sugeria cinema lá ia a tropa em grande festa para a sala dos ecrãs grandes, se era para fazer jantares havia sempre uma casa a oferecer e mãos prontas para cozinhar, se um de nós estava mal partilhávamos todos da mesma dor, para não doer tanto a uma só pessoa. Durante muito tempo achei que tinha encontrado as amizades que ia levar comigo para o túmulo, dizem que essas coisas se encontram nas faculdades, até. Fazia sentido. Agora que o curso está para acabar, o que resta desse grupo maravilha são só cinzas e mágoa. Já ninguém está preocupado com o bem estar de ninguém, se x não responde a um convite há logo drama e burburinho, porque só pode significar que não quer saber, porque está com outros e não está comigo, porque já não gosta de mim que lhe dei tudo, e exigi ainda mais mas shiuu que não é para saber, porque é pobre e mal agradecido e nhó nhó nhó. Não percebo que raio de amizades são estas que amargaram com o tempo, parece que andou tudo a desenvolver anticorpos ou a infundir raiva nas veias.
Recordações
Quando era pequena, a Mara só conseguia dormir depois de ouvir o camião do lixo passar na rua dela às tantas da madrugada. Era quase como a ansiedade de ouvir chegar o pai natal entre o nevão de azevinhos.
Biscoitos de estrelas cadentes
Madrugadas ao telefone a rir desalmadamente com piadas futebolísticas, são estas as consequências de uma amizade-feita-a-pontes-de-hidrogénio. E eu nem gosto de futebol.
Hoje disseram-me
Tens cara de vilã do James Bond. Os meus olhos coraram, quem não gosta de se sentir uma alminha maléfica de vez em quando?
Os meus amigos mentiram-me
Disseram-me que não podiam estar presentes naquelas horas de ouro, Logo vejo, ainda não acabei a história para amanhã, Desculpa não poder ir, mas boa sorte, Já tenho coisas combinadas, mas foram. Prepararam tudo entre silêncios e apareceram todos todinhos, embrulhados em surpresas. O meu peito está mais quente desde a tarde de ontem.
Pausas matinais
Aquele momento em que o consultório se transforma num estúdio de selfies enquanto esperam pelo próximo doente.
Conversas
Biscoita: O meu cérebro é tipo Cinderela. Chega à meia noite e puff!, volta a ser papa.
Bolacha: Não é bem essa a ideia que eu tenho da história da Cinderela.
Bolacha: Não é bem essa a ideia que eu tenho da história da Cinderela.
Experimentem
Peguem em três molhos de papéis. Num escrevam sujeitos, noutro predicados, no último complementos. Baralhem e tirem uma papel de cada molho ao calhas para formar uma frase. Risos, muitos risos.
Amigos
Aqueles com quem se pode contar para transformar a caixa de comentários do face num espectáculo de música ao vivo.
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