
Mapas de amor - Porto
Os Biscoitos foram ao Porto e quiseram ficar lá, escondidos numa pastelaria mimosa da Rua das Flores, do tanto que adoraram os passeios tripeiros. Descemos a rua de Santa Catarina. Espreitámos o Majestic por fora, um interior recheado de requintes e cornucópias, cadeiras sustentando pernas cansadas ou apenas corpos que procuram o sabor da boa vida boémia, café a preços que dói nos bolsos. Conhecemos o Bolhão e o o mercado do Bom Sucesso. Subimos os Clérigos bem até ao topo, onde os meus pulmões sugaram desesperadamente o ar que perderam há minutos no desfile de escadas. Partilhámos cartuchos de castanhas de rua, o meu único sinónimo de São Martinho. Morremos de paixão na escadaria da Lello, nas paredes de livros até ao céu, um veio comigo para casa como não podia deixar de ser. Vimos os salões do Palácio da Bolsa, segurem-me no salão árabe que é lindo lindo lindo, tantas fotos tiradas lá. Inspirámos o ar e o outono das folhas secas nos jardins do Palácio de Cristal e de Serralves, os castanhos-e-amarelos-torrados a explodirem-nos de felicidade no rosto. Perdidos nos ângulos agrestes das calçadas, enchemos-nos de mimos com um café e um bombom na casinha do chocolate mais carinhosa de sempre. Vivemos a avenida dos Aliados. Fizemos a travessia das pontes do Douro e aprendemos sobre vinho do Porto nas caves de Gaia, informação retida no cérebro e testada na língua. Uma francesinha para o Biscoito, que subia ao céu a cada garfada que a boca levava, Isto é a coisa mais perfeita que eu já comi, jesus! Atravessámos a ponte Luiz I a pé, ao início da noite e dormentes de frio, que nem gelados em congelador cativos. Fomos muito amor. Sobretudo muito amor.

Dos corações cheios
Não há nada melhor que as surpresas do Biscoito. Só mesmo o colo quente e os beijos.
Dias de desespero
O meu cérebro está demasiado inchado para estas quatro paredes ósseas, e eu farta que nem barriga pós rodízio dos vértices desta casa e das arestas destes livros. Cheia de amarelos de ferir olhos e rosas reflectores, de canetas vazias e blocos despidos de folhas no chão como as árvores que me observam pela janela. Todos os dias uma contagem decrescente para o fim do mundo que eu conheço há meses, o meu ano novo não vai começar a um de janeiro, começa já para a semana.
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