A minha sina é gostar de séries que são canceladas ao fim de uma ou duas temporadas.
Dos acidentes culinários
Pela primeira vez, esqueci-me de desligar o fogão, e o meu querido arroz de cebola ficou a cozer mais uma hora do que o suposto. Era um misto e carvão e papa quando o vi. Descansa em paz.
Dos bingos
Pela terceira vez ficamos a menos de dois números de acabar um cartão de bingo. Assim não brinco mais, beicinho.
Dos museus amor
Digo-vos, eu podia viver num museu de artes orientais aninhada num quimono e amparada por um biombo.
Biscoitos perdidos
O Modos tem estado um pedacinho parado, mas tenho andado perdida com tanta coisa para fazer. Quero muito fazer os Mapas de Amor, muito muito, mas vão ter de ficar mais uns tempos para segundo plano, que o grande exame está cada vez mais próximo e o meu cérebro anda feito de livros e paletas de marcadores. Entretanto cá vou eu partilhando algumas migalhas dos meus dias, este recanto de biscoitos está de boa saúde e bem longe de definhar.
A memória
- Eu contava-te a minha vida toda se a recordasse por inteiro, mas grande parte já não me pertence, a memória é uma coisa terrível, sabias? Come com gula as horas boas e más e quando já está de estômago cheio de sorrisos, entrega tudo às asas dos mochos para ser semeado numa planície distante, já imaginaste que algures nesta esfera de homens cresce uma plantação de existências abstractas, longe dos corpos e das mentes a que já não pertencem? Onde os guiões de tantos brotam da terra fértil para serem vividos uma última vez num auditório a céu aberto? Não temas, minha filha, os mochos não levam tudo, deixam recortes de película que ainda se movem em filme, tenho o colo da minha mãe no primeiro dia de escola, o primeiro beijo clandestino do teu avô, no canto inóspito do liceu igual ao que todos os liceus têm, os teus dedos pequeninos no dia em que o mundo te abraçou. Os mochos caçam-nos as repetições, mas deixam para trás os primeiros, são os que estão mais presos aos ossos, é preciso somar força e persistência. Escuta, vou contar-te um segredo, ainda tenho muitas histórias escondidas em sítios onde os ladrões não chegam, há muitas palavras que a minha pele tem. Mas nunca aprendi a ler rugas nem braile e os meus dedos já não lhes chegam, talvez um dia com os teus dedos pequeninos as soltes de onde se perderam. Talvez um dia nos tragas todas as histórias por ler.
Das (finalmente) férias
Diz que vou estar uns dias ausente da blogosfera, por uma boa causa. Vou percorrer o segundo Mapas de Amor com o Biscoito, cinco dias para uma cidade inteira com tudo a que temos direito. Desta vez não vou ter net comigo, a modos que o diário de viagem não será em tempo real, mas assim que puder tumba!, fotos para vocês. Entretanto deixo-vos a adivinhar para onde vai voar a caixinha dos biscoitos. *Risos maléficos*
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