Diários de estágio

Onze da manhã, sala dos médicos, e eis que um colega pergunta Sabem como é que se masturba um crocodilo? Foi a pérola do dia.

Dos passeios fotográficos

O Biscoito adora fotografar. Não faz parte da categoria amadora que anda de máquina canhão em punho e que lê revistas de fotografia para aperfeiçoar a técnica virgem, confia apenas na lente do telemóvel e em pura intuição, mas sim, adora gravar em forma de puxeis as paisagens e os detalhes que encontra pelo caminho. E eu deixei-me contagiar. Aos poucos, fui partilhando o gosto de encontrar a beleza nos pequenos veios de uma pétala jovem, no espectro de cores e contrastes do corpo de um pavão, na luz fogosa do sol quando se põe tímido atrás das nuvens, como uma criança que se esconde atrás da saia da mãe quando abordada por desconhecidos. Agora também eu adoro fotografar. E como sou daquelas pessoas que gosta de saber que ainda pode descobrir novos interesses, adoro duplamente adorar fotografar.

Das leituras

Na altura, tinha a impressão de que, se a sua mente e os seus sentimentos se concentrassem num ponto escondido no mais fundo de si, o coração deixaria de bater. Bastava-lhe concentrar-se intensamente para infligir ao seu coração uma ferida mortal, como quando, com uma lente, se concentra a luz do sol sobre um papel para que este arda. Era o que desejava com todas as forças. Mas os meses passaram e, contra a sua vontade, o coração não parou. Pelos vistos, o coração humano não deixa de bater assim tão facilmente. - A Peregrinação do Rapaz Sem Cor, Haruki Murakami

Das indecisões

Acabei a Peregrinação do Rapaz Sem Cor e agora estou num impasse, não sei se me apetece ler um policial ou outro romance de puxar ao coração.

Das musicas e danças

Ando a ouvir muito kizomba. Quando eu digo muito, é mesmo muito. Eu não gostava de kizomba, não sei o que aconteceu. Ou uma costela africana escondida despertou em mim nestas ultimas semanas, ou foi mordida por uma carraça manhosa, é a única explicação.

Dos nervos pela manhã

Aquelas pessoas com ar fresco e fofo, sem pesos ou sacos nas mãos, que chamam o elevador para subir um andar e fazer perder tempo a quem tem pressa. Ahh, desgraçadas.

Da nova estação

Há uns dias estive a organizar o meu armário e a pôr de parte tudo o que era trapo não usado há mais de dois anos, ou peças que já não gosto, ou que já não me servem. Conclusão, preciso de ir urgentemente às compras, casacos, camisolas, calcas e tops, venham até mim.