Dos livros traduzidos
Mais um exemplo de tradução manhosa, a transmissão ocorre por disseminação de perdigotos. Santa mãe de Deus.
Os biscoitos de canela e noz
Agora somos dois na caixinha dos biscoitos. Dois biscoitos de canela e noz, em tempos passados nos ares da amargura, pensando-se secos e sem sabor, insípidos ao gosto que qualquer boca. E se calhar tudo começou por consequência disso, por já não sabermos o que éramos, se um bolinho viçoso e merecedor de ser cuidado numa embalagem forrada a carinho e beijos, se apenas um monte de migalhas mal unidas, quebradiças de tanto tempo a cozer no forno, de base queimada e sem sustento. Agora tenho sustento, desde que me és. As migalhas já não estão soltas, o cheiro a canela ganha vida a cada dia que passa, é a felicidade a brotar dos minúsculos poros da farinha-terra. Somos amor, confiança e respeito, e ainda bem que assim é, ou o sustento da base queimada já não seria tão sustento assim. Não há nada que me deixe de sorriso mais cheio do que poder partilhar a mesma caixa em coração contigo, a mesma vida de bolinho gourmet, a quem nem as dentadas do olhos são capazes de levar bela essência. Se as rochas e lamas malignas que se me atravessaram à frente foram só para te chegar, então não lhes chamo rochas e lamas, são só irregularidades do caminho. Estrelas cadentes o tanas, amor é biscoitos de canela e noz.
Das hipocondrices
Não sei se é por estar nas medicinas que tenho a mania das doenças, na verdade acho que é uma coisa que me acompanha desde o tempo da arca da velha, mas não consigo não fazer filmes quando alguma coisa não está bem em mim, penso sempre na desgraça maior mesmo que racionalmente saiba que a probabilidade disso acontecer é uma minhoquice. Acho que se pudesse trazer para casa todo o arsenal de máquinas e apetrechos de diagnóstico lá do hospital, ui, era uma alegria.
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