Dos pânicos académicos

A senhora da minha história clinica de exame tem mais doenças que as que cabem nas mãos. Eu só queria uma pneumonia bonitinha de livro, mas lá me chegaram onco-nefro-cenas que eu tanto odeio. Vou só ali chorar um bocadinho.

Migalhas #14

Tirando uma ou outra ocasião, tenho a autoestima de uma minhoca.

Os meus amigos mentiram-me

Disseram-me que não podiam estar presentes naquelas horas de ouro, Logo vejo, ainda não acabei a história para amanhã, Desculpa não poder ir, mas boa sorte, Já tenho coisas combinadas, mas foram. Prepararam tudo entre silêncios e apareceram todos todinhos, embrulhados em surpresas. O meu peito está mais quente desde a tarde de ontem.

Caixilhos e alumínios

Fui com a minha avó escolher janelas novas para substituir as do quarto. Toda uma palestra sobre caixilharia e alumínios ainda ressoa nos meus ouvidos.

Dos exercicios matinais

Planos para os dias de céu limpo: uma caminhada de trinta minutos todas as manhãs. Adeus transportes públicos e trânsito de Satanás.

O poço

Fui irresponsável. Não acreditei se me diziam,
- Não és diferente de ninguém, também tu podes cair no poço.
- Não, os poços foram feitos à medida dos outros e eu não me desequilibro.

Mentira, cada casa tem um poço e o meu tem-me a mim, lá no fundo onde cresce o sujo e o podre, onde a noção do espaço e do tempo, do tu e do eu deixa de fazer sentido, onde o monstro Medo com os seus dedos longos e viscosos algema mãos e pés, come o ar que vibra nas cordas vocais, e eu definho impotente, enchendo o poço de lágrimas até uma mão amada e assertiva me gritar o estúpido de me deixar morrer afogada na minha própria covardia. Todos temos um poço, todos temos uma mão, Pára de chorar e confia, ergue-te! sou feliz outra vez.

Dos trabalhos de casa

Tenho de fazer uma biografia sobre a minha pessoa com o máximo de cem palavras. Estou com medo de começar e desbobinar até amanhã ou descobrir que não tenho grande coisa para dizer.