Mostrar mensagens com a etiqueta Rascunhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rascunhos. Mostrar todas as mensagens

Dos sorrisos

Aquele sorriso que eu tinha, sabes, que atiraste que nem trapo velho para a gaveta, aquela última gaveta onde todos deixamos ao abandono as coisas que não importam, que só se abre para limpar o pó, Meu Deus, já nem me lembrava que ainda tinha isto. Já tem uns quê, três, quatro anos? Talvez..., e depois cai novamente no esquecimento, onde o pó se acumula de novo, a noite se instala de novo, até que a luz volte a raiar naquele espaço, num novo tempo, para uma nova vida.

- O que é que estas para aí a dizer?

Sei lá. Só quero que me devolvas o sorriso.

Dos lamentos

Os abraços já não aquecem como antigamente, os beijos já não têm o sabor doce do mel, os corpos já não pecam na penumbra da noite, os olhares já não adivinham as palavras nunca ditas, aquelas que agora testemunham o silêncio aflitivo de quem não tem nada para dizer, de quem finge o sucesso de uma vida pessoal para esquecer o falhanço de uma vida conjunta,

- Lamento.
- Não mais do que eu.

e como quem apenas aceita a inutilidade de uns sapatos velhos quando as feridas nos pés deixam de sarar e sangram perdidamente, chorosamente, deixámo-nos partir, sem raiva, sem prantos, sem lágrimas.